Relações light... como isto me preocupa! E garanto-vos que me preocupa mesmo a sério.
Olho à minha volta e vejo uma obsessão louca por tudo o que é light, incluindo as relações amorosas. Onde é que já se viu o amor light?!?!
Estas relações caracterizam-se, essencialmente, pela ligeireza de sentimentos, e a interacção entre os amantes é de um completo desprezo.
Conhecer o outro já está fora de questão: diz -se logo no ínicio "não precisas de me contar o teu passado, agora é que interessa, o que vamos viver daqui para a frente". Esta atitude revela um total desinteresse pela vida do outro. Quem ama, quem gosta de verdade quer saber o passado do seu amado, quer sentir que fez parte daquela vida, mesmo sem o ter feito.
Outra caracteristica desta modalidade de amar é o facto de quando há um problema, ou mesmo quando um dos dois descobre um defeito no outro não existe a vontade de resolver a situação, a única vontade é de abandonar o barco. Ninguém quer preocupações para além das suas próprias preocupações. Ninguém pretende aturar os defeitos e manias de alguém que, no fundo mal se conhece ou que não se quis conhecer, ou por quem não se sente empatia, porque no fundo nunca se desejou ter empatia por essa pessoa.
Muitas destas relações são o resultado das necessidades físicas e emocionais dos sujeitos, ou seja, estas pessoas acabam por só ter apenas relações porque sentem falta de algo, mas assim que os seus desejos estão saciados, a relação perde o significado.
Outra vertente das relações light é quando se fala de relação aberta. É inteiramente impossivel amar-se e deixar o outro livre para manter outra relação, mesmo esta sendo exclusivamente sexual. Quem realmente ama é possessivo, no sentido de querer só para si a intimidade do outro, não conseguindo partilhar com mais ninguém. Isto parece um pouco psico, mas é inteiramente compreensivel. Vejamos por este ponto: se alguém conseguir deixar o seu companheiro ir para a cama com outra pessoa, defendendo que é apenas sexo, essa pessoa é fantasticamente racional, mas o amor não é lógico, logo não pode amar no verdadeiro sentido de amar. Mais tarde, voltarei a explicar melhor esta questão da possessão.
Esta leveza de relações acaba por ser o fruto da sociedade em que vivemos, e não a culpo por isso, é algo extremamente natural e que com o passar do tempo acredito que se vai voltar ao romantismo excessivo.